Sobre o sono do bebê

Em meu dia-a-dia com mamães e papais, o que eles sempre me questionam e mais tem vontade de saber, além da amamentação, é sobre o sono do bebê. As perguntas são as mais variadas possíveis: “Podemos deixar o bebê chorar no berço?”, “Quanto tempo?”, “Você já leu o livro tal?”, “Qual livro de encantamento você recomenda para a gente?”, “O bebê tem que ter hora marcada para mamar para não atrapalhar o sono?” e daí por diante.

Eu tenho um modo todo meu de encantar bebês e nele não se enquadra qualquer tipo de cerceamento quanto à amamentação e muito menos deixar chorar no berço sem a ternura do contato.

Tenho visto muitas pessoas lidar com os bebês como se eles fossem pequenas máquinas que podem ser manipuladas com algumas doses de sofrimento. Lembrem-se: o bebê acabou de sair de um lugar quentinho, escurinho e apertadinho, onde era saciado de sua fome, sede e carinho a cada toque da água morna na sua pele. A cada encostada no útero da mãe e a cada som do coraçãozinho dela, a proteção não precisava ser pedida, pois era permanente.

Digo sempre que eles terão muito tempo para serem independentes. Estudos mostram que bebês amamentados e acolhidos em suas necessidades são mais independentes e bem sucedidos profissionalmente.

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O bebê chora porque pede. Ele não sabe falar, então pede. E pede chorando, que é a única linguagem que ele conhece! Pede ajuda para todas as angústias que sentem como, por exemplo, “estou com sono e não consigo dormir, me ajude”, “tem coisas geladas no meu corpo, retire, por favor”, “estou querendo meu peitinho fofinho e quentinho da mamãe”, “quero aquela enfermeira que canta no meu ouvido”, “quero aquele colo forte do meu papai”, “não quero que a solidão tome conta de mim”,  “tenho medo desse lugar tão grande que me colocaram sozinho”, “tenho frio”,  “tenho calor” e, por fim, “quero voltar para o meu ninho”.

Algumas pessoas me falam que fizeram os bebês chorar e agora eles pararam de chorar, ficam no berço e não são mimados. Eu digo, ora, pessoas inteligentes acabam se conformando quando veem que seus pedidos não são atendidos, mas a situação não deixa de ser traumática.

Sempre digo que existe o meio termo. Não precisamos exagerar em nada. Podemos sim, buscar alternativas saudáveis para seu bebê ficar confortável e vocês também.

Um profissional amável e conhecedor dos meandros desse momento tão delicado e comprometido com o bem estar dos atores, consegue ajudar muito nesse processo. E ele não precisa tomar conta de tudo, mas deve ir inserindo os pais nesse contexto de cuidados tão necessários para o bom desenvolvimento relacional entre a família e o bebê.

Não vamos ser hipócritas e obrigar as pessoas a ficarem estressadas por passar várias noites sem dormir e não poderem pedir ajuda porque seriam caracterizados como “pais incompetentes e relaxados”. Cada um tem seu limite e deve conhecê-lo bem para permanecer saudável para cuidar de seu bebê e alimentá-lo. Mãe sem dormir nada e estressada também não é bom, compromete muito o desenrolar do dia-a-dia e da amamentação.

Hoje por vários motivos, muitos jovens pais moram longe de suas famílias e precisam de ajuda nesse momento. O Personal Mamãe Bebê, com a enfermeira Márcia Madeira, deseja que vocês experimentem uma gestação e a chegada de seus bebês com amor, cuidado e atenção.

Um grande beijo,
Márcia Madeira – Enfermeira.