Reflexões no pós – parto.

mae-primeira-viagemE depois do parto, quem somos nós?

Uma reflexão da Laura Gutman sobre o puerpério.

“De fato, depois do parto, nós, mulheres, choramos sempre desconsoladas e nos perguntamos “quem sou?”, “o que tenho?” e ” o que fiz para merecer isso?”. A certeza de haver enlouquecido para sempre é maior na medida em que anteriormente tínhamos nos identificado com aspectos de ação e eficácia do nosso desempenho cotidiano. Isso é especialmente surpreendente nas mulheres organizadas, ativas, cuidadosas, pontuais, bem-sucedidas e racionais.

Para piorar, o desconserto é realmente assustador na medida em que conseguimos imaginar e organizar com antecedência o funcionamento do futuro vínculo com o hipotético bebê. Sobretudo nos casos em que planejamos seriamente uma preparação racional para o parto, seguimos minuciosamente todos os exercícios. E o parto, por si só, foi medianamente satisfatório. Ou seja, tudo nos levou a imaginar que a presença do bebê seria a continuidade de algo que vinha se desenvolvendo como previsto.

O problema para as mães recém-paridas é aprender a mergulhar simultaneamente na imensidão do campo emocional para logo emergir e voltar ao mundo racional (trabalho, dinheiro, preocupações cotidianas) e voltar uma vez mais para o ritmo sussurrante do bebê, em uma dança para a qual não fomos treinadas. Mundo racional e mundo sutil. Mulher empreendedora e mãe paciente. Ação e espera. Decisão e leite. O puerpério pode ser enlouquecedor e pode ser uma benção. Depende se estamos dispostas a mergulhar nas águas de nosso eu desconhecido. E se buscamos apoio para a travessia.” (tradução livre do espanhol)